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O que é Drex, a moeda digital do Banco Central
Drex é a CBDC brasileira: centralizada, sem blockchain desde 2025 e sem data para o público. Veja o que é, para que serve e por que não é cripto.

O que é Drex, a CBDC do Banco Central brasileiro
Drex é o nome do projeto de moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês) do Banco Central do Brasil — uma representação digital do real, emitida e controlada pela própria autoridade monetária. Diferente do Bitcoin, o Drex nasce centralizado por definição: ele existe porque uma instituição central garante e controla sua emissão, não porque uma rede aberta valida transações sem dono.

CBDC, em uma frase
Moeda digital de banco central é a mesma moeda que você já usa — no caso brasileiro, o real — só que emitida em formato digital e sob controle direto do banco central, em vez de notas de papel ou saldo de banco comercial. Diversos países estudam ou testam sua própria versão; o Drex é a versão brasileira.
Por que o Drex não é criptomoeda
A diferença não é só de marketing — é estrutural, e o contraste ajuda a entender os dois lados. O Bitcoin tem emissão fixa e previsível, nenhum emissor identificável, e é validado por uma rede aberta que qualquer um pode auditar, como descrito em centralizado x descentralizado na prática. O Drex tem um emissor único e identificável (o Banco Central), pode ter sua política ajustada por decisão administrativa, e — ao menos no desenho atual — não depende de uma rede pública aberta para funcionar. Mesmo stablecoins, que também são "moeda digital estável", diferem do Drex num ponto central: são emitidas por empresas privadas (Tether, Circle), não por um banco central.
A reviravolta de 2025: o Drex abandonou o blockchain
O projeto começou em 2020, foi ampliado em 2023 e, em maio de 2024, o Banco Central autorizou a segunda fase de testes do piloto — construída sobre a plataforma de blockchain Hyperledger Besu. Em setembro de 2024, 13 casos de uso foram selecionados entre 42 propostas de 16 consórcios, cobrindo temas como cessão de recebíveis, crédito colateralizado em títulos públicos e CDB, e transações com imóveis e veículos.
Foi aí que o projeto mudou de rumo. Entre agosto e setembro de 2025, o Banco Central anunciou que a tecnologia de registro distribuído (DLT) seria abandonada na primeira fase — a solução escolhida, o Hyperledger Besu, enfrentou dificuldades de desenvolvimento, sobretudo em soluções de privacidade que conciliassem transparência da blockchain com o sigilo bancário e fiscal exigido por lei. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou que o Drex não teria mais blockchain nem tokenização de ativos no curto prazo, e que os contratos inteligentes — que dependiam da tokenização — ficaram adiados indefinidamente. Em novembro de 2025, a plataforma usada nas duas primeiras fases de teste foi descontinuada.
Segundo o mapeamento mais recente desse histórico (NDM Advogados, artigo atualizado em 10/09/2026), o Drex está hoje numa fase de piloto restrito, com instituições selecionadas testando operações simuladas numa infraestrutura reconstruída, sem confirmação pública de qual tecnologia de registro ela vai usar. O Banco Central não fixou data de lançamento ao público. O escopo também encolheu: a chamada "versão tímida" do Drex concentra a primeira entrega na reconciliação de gravames — verificar se um bem dado em garantia de crédito (um imóvel, um veículo, um título) já está vinculado a outra obrigação, hoje feito manualmente e sujeito a fraude por duplicidade. Essa primeira entrega era esperada para o segundo semestre de 2026; um relatório consolidado da segunda fase do piloto era esperado para outubro de 2026, mas não há confirmação pública de sua publicação até a data desta matéria (19/10/2026).
Para que ele serve — quando existir
- Atacado / interbancário: liquidação de operações entre instituições financeiras autorizadas, sem passar pelo sistema bancário tradicional a cada etapa.
- Varejo: o Banco Central não planeja dar conta direta ao cidadão. Instituições autorizadas (bancos, fintechs) emitiriam representações do Drex para seus clientes — o acesso é sempre intermediado, nunca direto com o BC.
- Tokenização de ativos (etapa futura, sem prazo): a ideia original era permitir que a compra de um imóvel ou veículo liquidasse o pagamento e a transferência de propriedade no mesmo momento, via contrato inteligente — hoje adiada.
- O Drex não substitui o Pix. São sistemas com propósitos diferentes: o Pix já resolve pagamento instantâneo entre contas; o Drex visa resolver liquidação de operações mais complexas, como garantias e, no futuro, ativos tokenizados.
O que o Drex NÃO é
- Não é criptomoeda. Não tem rede aberta, emissão algorítmica nem validação sem dono.
- Não é dinheiro anônimo de bolso. O desenho prevê sigilo bancário e proteção de dados como requisitos inegociáveis, mas o acesso do usuário final sempre passa por uma instituição autorizada — não há o anonimato de uma nota de papel.
- Não é realidade para o usuário final hoje. Em outubro de 2026, o projeto ainda está em piloto restrito entre instituições, sem data de abertura ao público.
Linha do tempo resumida
| Período | O que aconteceu |
|---|---|
| 2020–2023 | Início dos estudos e primeiros testes, depois ampliados |
| Maio/2024 | Segunda fase do piloto autorizada, sobre Hyperledger Besu |
| Set/2024 | 13 casos de uso selecionados entre 42 propostas de 16 consórcios |
| Ago–Set/2025 | Banco Central anuncia abandono do blockchain na primeira fase — "versão tímida" |
| Nov/2025 | Plataforma das duas primeiras fases é descontinuada |
| 2º sem./2026 (previsto) | Primeira entrega, focada em reconciliação de gravames |
| Out/2026 (previsto, sem confirmação pública até 19/10/2026) | Relatório consolidado da segunda fase do piloto |
Perguntas frequentes
O Drex vai substituir o dinheiro físico ou o Pix?
Não há esse plano. O Drex tem propósito diferente do Pix (que resolve pagamento instantâneo) e, segundo o próprio Banco Central, não pretende eliminar o dinheiro físico — a ideia é adicionar um instrumento para liquidação de operações mais complexas, como garantias de crédito e, no futuro, ativos tokenizados.
O Drex é uma criptomoeda?
Não. Criptomoedas como o Bitcoin não têm emissor central e são validadas por uma rede aberta. O Drex é emitido e controlado pelo Banco Central do Brasil, o oposto estrutural desse modelo.
Quando o Drex vai estar disponível para pessoa física?
Não há data confirmada. Mesmo a primeira entrega institucional (reconciliação de gravames), prevista para o segundo semestre de 2026, ainda não tinha confirmação pública de lançamento até 19/10/2026 — e o acesso para o usuário final sempre dependeria de uma instituição autorizada, nunca seria direto com o Banco Central.
Conclusão
O Drex é o projeto de moeda digital do Banco Central — centralizado, sem rede aberta, e hoje mais modesto do que a proposta original: perdeu o blockchain, perdeu a tokenização de curto prazo, e ganhou um escopo inicial restrito à reconciliação de garantias de crédito entre instituições. Entender essa trajetória ajuda a separar o que o projeto promete do que ele, de fato, entrega até agora — e por que ele não concorre com o Bitcoin: são respostas a perguntas completamente diferentes.
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Fontes
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